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ALQUIMIA – Parte 4

POSTULADOS ALQUÍMICOSSão quatro os postulados básicos da alquimia:

  1. A unidade do princípio material (matéria prima primordial);

  2. Evolução da matéria (todos os elementos são radioativos, uns mais outros menos, de forma que ao longo de milhões de anos, mesmos os átomos considerados estáveis, sofrem transformações análogas à dos elementos instáveis);

  3. Os elementos químicos representam estados de evolução (sendo o ouro o mais perfeito);

  4. A transformação é o resultado de uma evolução natural ainda desconhecida do homem, a qual é possível reproduzir em laboratório, sendo este trabalho ao mesmo tempo espiritual e material (ora et labora = reza e trabalha; de onde vem a palavra “laboratório” = labor + oratório).


Segundo Frater Albertus, “ervas, animais e metais – tudo cresce a partir da semente“. Esta “semente” é denominada spiritus ou astra. Os metais, como seres vivos, podem estar sujeitos a “doenças” diversas (a oxidação ou ferrugem seria um exemplo), como comprovam alguns experientes radiestesistas ou radiônicos, inclusive os metais podem até “morrer”, e geralmente os que normalmente empregamos estão realmente mortos, uma vez que perderam seu spiritus. O uso de alguns destes metais “adoecidos” ou de ligas metálicas cuja combinação se origina de metais de caráteres diversos, pode precipitar o surgimento de diversos males.

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Frater Albertus Spagyricus
(Dr. Albert Richard Riedel)
5/5/1911 – 14/7/1984

Segundo a filosofia alquímica e os princípios da magia, os sete metais planetários são os que mais acumulam spiritus de natureza análoga à “influência” planetária correspondente. Eles apresentam um ritmo energético oscilante, de acordo com a posição do astro a ele associado (é o “biorritmo” do metal).

Como o próprio Hahnemann (fundador da Homeopatia) comprovou, as coisas que são de alguma maneira semelhantes na natureza de suas vibrações características têm afinidade entre si. Isto é conhecido como “Princípio das Correspondências ou Concordâncias”. Os Florais e a Homeopatia baseiam-se em princípios elementares da Alquimia Herbácea (alquimia vegetal, que compõe a “Pequena Circulação”, em contraposição à Alquimia Mineral ou “Grande Circulação”). Em ambos os casos, o princípio ativo é a quintessência dos elementos impregnada num catalisador (que no caso da aplicação vegetal pode ser água ou álcool, e na mineral geralmente um ácido).

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Christian Friedrich Samuel Hahnemann

Os alquimistas acreditavam que o mundo material é composto por matéria-prima sob várias formas, as primeiras dessas formas eram os quatro elementos (água, fogo, terra e ar), divididos em duas qualidades: úmido (que trabalhava principalmente com o orvalho), Seco, Frio ou Quente. As qualidades dos elementos e suas eminentes proporções determinavam a forma de um objeto, por isso, os alquimistas acreditavam ser possível a transmutação: transformar uma forma ou matéria em outra alterando as proporções dos elementos através dos processos de destilação, combustão, evaporação, etc.

Por outro lado, um grande número de alquimistas afirmava: “as vias usadas no processo são duas e as chamamos de seca e úmida (ou a do sábio e do filósofo)”. Uma é mais rápida do que a outra; no entanto, é muito mais arriscada. A via seca era sempre mais rápida, realizada no Athanor (forno) aberto, com fogo direto, vivo e forte e numa espécie de panela que normalmente era chamada de ‘cadinho’. A via úmida era mais eficaz, porém mais lenta. Normalmente feita em um recipiente fechado que levava o nome de ‘retorta’ ou ‘pelicano’ e cozinhada em fogo brando por bastante tempo. O forno também era fechado e muito maior do que na via seca.

A maioria dos escritores dividia a via úmida em quatro estágios principais, que por vezes, também ter significado espiritual, e os associava a cores e suas vibrações. Como não podia deixar de ser, os nomes eram em latim:

Segundo os alquimistas a matéria passaria por quatro estágios:

  • Nigredo: ou Operação Negra, é o estágio em que a matéria é dissolvida e putrefada (associada ao calor e ao fogo);

  • Albedo: ou Operação Branca, é o estágio em que substância é purificada;

  • Citrinitas: ou Operação Amarela, é o estágio em que opera-se a transmutação dos metais;

  • Rubedo: ou Operação Vermelha, é o estágio final.

Entre a Nigredo e o Albedo, há a fase da Cauda Pavonis (cauda do pavão ou arco-íris). Deve ser por isso que se diz que no fim do arco-íris está um pote de ouro. O problema é que nunca encontramos o fim do arco-íris, mas na maioria das vezes o caminhar é o verdadeiro tesouro.

Os processos apresentam perigo real de explosão (algumas composições tratam-se de reações violentas, que se aproximam da pólvora), queimaduras (temperatura próximas dos 1000°C e quase sempre acima dos 100°C, ácidos e bases fortes), envenenamento (gases) e toxicidade por metais (Mercúrio, Antimônio, Chumbo). Os perigos psicológicos são também reais, em conseqüência de trabalho excessivo, concentração prolongada, frustração repetida, falta de repouso, por vezes isolamento, estímulos à imaginação, etc.

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O processo se dá com quatro operações:

  • Solução ou Liquefação – A primeira é a solução (liquefação) da matéria em água mercurial pela semente do mar. A geração começa pela conjunção do macho e da fêmea de suas sementes. Segue a putrefação. Pela solução, os corpos, dizem eles, retornam à sua primeira matéria e se reincorporam pela cocção (cozimento). Nesse momento, faz-se o casamento entre o macho e a fêmea, e dele nasce o corvo. A pedra se transforma em quatro elementos, todos misturados; o céu e a terra se unem para dar à luz Saturno. Na química filosófica é uma redução do corpo à sua primeira matéria, uma desunião natural das partes compostas e uma coagulação das partes espirituais; eis porque os filósofos chamam-na uma solução do corpo e um congelamento do espírito.

  • Ablução ou Calcinação – A segunda é a preparação do mercúrio dos filósofos, que volatiliza e espermatiza os corpos, expulsando a umidade supérflua e coagulando toda a matéria sob forma de terra viscosa e metálica. A ablução ensina a branquear o corvo e fazer nascer Júpiter de Saturno, o que é feito pela transformação do corpo em espírito. A calcinação comum é a pulverização pelo fogo e a redução do corpo em cal, cinza, terra, etc. é a morte do misto. A filosófica é a extração da substância, da água, do sal, do óleo e do resto terroso. A calcinação comum se faz pela ação do fogo comum ou dos raios concentrados do Sol. A filosófica tem a água por agente, por isso se diz ablução.

  • Redução ou Putrefação – A terceira parte é a corrupção que separa as substâncias, retifica-as e as reduz. As águas tiveram que ser separadas das águas com peso e medida [destilação]. A função da redução é devolver ao corpo seu espírito, que a volatilização havia retirado, e alimentá-lo a seguir com um leite espiritual, em forma de orvalho, até que Júpiter criança tenha adquirido uma força perfeita. É, de algum modo, a chave de todas as operações, ainda que não seja a primeira. É a ferramenta que rompe as ligaduras das partes. A destilação e a sublimação comuns são a imitação das da natureza.

  • Fixação ou Fermentação – A quarta é a geração e a criação do enxofre filosófico, que une e fixa as substâncias; é a criação da pedra; o mistério acabou. Sem ouro não se pode fazer ouro. O ouro é, portanto, a alma e o que determina a força intrínseca da pedra. O medicamento amarelo não é mais do que uma composição de terra e água, isto é, de enxofre e mercúrio fermentados com o ouro, porém um ouro reincorporado.

As cores que a matéria assume no decorrer das operações da obra são signos demonstrativos, que permitem saber que se agiu de maneira a ter êxito. Elas sucedem imediatamente e por ordem. A perturbação desta ordem é uma prova de que se operou mal. Há três cores principais: a primeira é negra, chamada cabeça de corvo, serpentes, dragões e muitos outros nomes.

A segunda cor é o branco. Essa matéria, dita fumaça branca, é considerada como a raiz da arte, o verdadeiro mercúrio dos filósofos. A formação dessa brancura desejada anuncia-se por um círculo capilar de cor alaranjada, que aparece ao redor da matéria, nos lados do recipiente.

A matéria ao deixar  a cor negra, não se torna branca de repente; a cor cinzenta, que participa das duas é a intermediária. Os sábios lhe deram o nome de Júpiter porque ela sucede ao negro, que eles chamam de Saturno. A matéria que se fixou na parte inferior do vaso é Júpiter. Essa matéria branca é, desde então, um remédio universal para todas as doenças do corpo humano.

A terceira cor primordial é o vermelho, que se obtêm continuando o cozimento da matéria. Deve-se saber que, para despistar os garimpeiros, a maioria dos sábios começam seus tratados da Obra com a pedra vermelha. Nessa operação, o corpo fixo se volatiliza; sobe e desce no vaso até que o fixo, tendo vencido o volátil, o precipite ao fundo com ele, não fazendo mais do que um corpo de natureza absolutamente fixa.

As três cores – preta, branca e vermelha – devem necessariamente sucederem-se na ordem que acabamos de indicar. Não são as únicas que se manifestam. Indicam as mudanças essenciais que ocorrem na matéria, enquanto as outras cores, quase indeterminadas e semelhantes ao arco-íris, são passageiras e de curta duração; afetam antes o ar do que a terra, repelem umas às outras e dissipam-se para dar lugar às três cores principais, das quais estamos falando.

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  1. Jorge
    10/10/2010 às 4:02 am

    Achei o atigo intresaantíssimo, o título Alquimia parte 4 indica que existem tres artigos anteriores. tenho já há muito tempo o Guia prático de alquimia de frater albertus, pois pesquiso esta área já há algum tempo. para entender devidemnte o artigo é necesário que o leitor já tnha uma certa familiaridade com a Arte Real. Gostaria de ler as outras lições e discutir o assunto. O que devo fazer? De qualquer forma está de parabéns. Um grande abraço…aguardo resposta

  2. Jorge
    21/10/2010 às 2:16 am

    Helder…Obrigado pela resposta e pelas informaçoes, vou pesquisá-las assim que tiver um tempo. Os outros assuntos que vc citou também me interessam e muito, vou dar uma olhadinha também mas a alquimia é a minha prioridade, mais uma vez obrigado, é grtivficante saber que ainda existem pessoas que se interessam pelos verdadeiros mistérios. Agrdeço qualquier informação extra ue puder me dar,mantenha contato por favor! abraço…Jorge

  3. luiz fernando
    15/12/2010 às 3:59 pm

    gostei do post estudo alquimia a varios anos e posso dizer que a maioria dos alquimistas tentam distanciar o estudante do verdadeiro caminho aplicando varios nome a materia da pedra não que eles estejam mentindo sobre as preparação mas meu amigo e com profundo prazer que eu digo a vôces que a pedra dos sabios exije apenas uma materia uma operação e o total conhecimento do fogo para que seja feita esta raiz que contem o mercurio dos sabios e uma materia desprezada por muitos e não e de muito valor hoje em dia ela contem todo arco iris dentro de si mas a escuridão a domina por completo aquele que enontra-la de graças ao pai e viva em silencio em sua castidade darei a vôces um enigma simples os puros de coração decifra os tres pregos na crucificação e encontrara a pedra amen.

    • marcio
      22/05/2012 às 8:28 pm

      Por favor, gostaria de conversar a respeito, estou iniciando na arte, possuo curiosidade, voce possui email?

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